Ontem saímos do Vietnã. Não foi fácil, acreditem.
O Vietnã foi um dos lugares mais hipnotizantes para mim até
agora. Não começarei a falar pelos lindos campos de arroz ou pela vegetação que
engole até mesmo os mais acostumados com belas paisagens. Serei bem direta,
amigos: a covardia internacional moldou essa gente. Tenhamos todos consciência
da sociedade que vivemos. Aqui eles não nos deixam esquecer do quanto lutaram
para apenas permanecer. Fazem questão de nos lembrar quantas crianças e jovens
foram ao combate, quantas famílias viveram debaixo da terra em túneis que de
tão precários acabaram aniquilando os americanos e sua ganância. É latente. Não
há história no Vietnã sem guerra.
Chegamos aqui e foi difícil de engolir, de relaxar, de
escrever, de pensar. Vergonha de ser humano.
Segundo o anti-humano comentarista da GloboNews e colunista
da Veja, Diogo Mainardi, a guerra é
apenas uma mera ferramenta que a diplomacia utiliza quando as palavras são em
vão. Isso é cinismo. Não sou cínica, sou apaixonada. Foi assim que a minha
sogra me ajudou a dividir o quadro da sociedade que vivemos: sejamos
apaixonados ou vivamos no cinismo frio.
De paixões o mundo é formado, por favor, amigos apaixonados,
não esqueçamos do que uma guerra é capaz!
O Agente Laranja foi uma das armas químicas aqui amplamente
pulverizadas. Com a desculpa de "escamar as árvores da intensa mata" e
enxergar os "alvos amarelos" , contaminaram rios, plantações, solo,
os vietcongues, os soldados americanos e suas gerações eternamente. As
consequências são vivas até hoje, com uma geração inteira, ou 3milhões de
vietnamitas, que nascem completamente deformados, pagando com a vida uma dívida
internacionalmente americana.
Quem venceu a guerra não foram os Vietcongues, mas empresas
como a Monsanto, que produzia largamente o Veneno Laranja. Hoje ela produz
venenos sob a tutela do nosso governo brasileiro: soja transgênica - modificada
geneticamente para ser a única coisa a resistir aos pesticidas™,
também produzidos pela Monsanto (!) que matam tudo o que encontram no exército
verde dos campos de soja no nosso sul-centroeste.
No Vietnã, a maldita empresa foi a pioneira e ainda na
década de 60 produziu os primeiros seres-humanostransgênicos.
Enxerguemos uma guerra em curso, uma ditadura infiltrada no
cotidiano de todo mundo, um veneno esmaecido e camuflado. O sentido que nossa
comunidade global toma em seu curso. Mísseis Napalm e Agente Laranja foram
usados massivamente para impor o poder americano aqui, mas foi este
"sentido da comunidade global" que conseguiu - não sem menos vítimas
- impor o padrão de consumo desenfreado e mortal.
Meditemos: quem venceu a guerra? Macintosh é sinônimo de
grife (e estampa não só computadores, como bolsas, sapatos, roupas...), o
turismo corrói até as mais belas ilhas de Halong Bay, anúncios de todo tipo de eletrônicos ofuscam
nossas visão em Hanoi ou Saigon. Socialismo aqui só mesmo no visto de entrada.
Este pedaço ínfimo de lugar no mundo foi invadido quatro
vezes (China, Japão, França, EUA). Ainda estão aqui tentando construir uma
sociedade que se diz socialista no papel, mas faz o Tio Ho (ou Ho Chi Mihn)
arrepiar a careca embalsamada no seu mausoléu.
Foi por paixão que dei
a volta ao mundo até aqui. Isso todos sabem. Foi com paixão que escrevi
esse manifesto e ainda com paixão acredito que até os cínicos
tomarão consciência. A guerra do capital é vigente, o carioca pode sentir isso.
http://comitepopulario.wordpress.com/http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1252388-apos-expulsao-indios-da-aldeia-maracana-no-rio-brigam-entre-si.shtml
http://www.youtube.com/watch?
http://www.brasildefato.com.br/node/9407
http://www.brasildefato.com.br/node/9401
Leiam:
a tradução da carta está aqui
Maria, eu acordo todos os dias e digo para mim mesma que preciso continuar sendo apaixonada.
ResponderExcluirbjs e saudades Dadá
Sim, contra o capital, viva Chávez! Viva Fidel! Viva Lula! Viva Dilmão!
ResponderExcluirBjs
Titia
o amor resiste!!! bjs nunuba
ResponderExcluirCaracas minha filha é revolucionária...rsrsrs viva Tche... Agora posso viver em paz. Viva a vida!!!!
ResponderExcluirCaraca! Minha filha é humana e vê e vive o que a sociedade insiste em negar: Tolerância. Comover-se com a dor alheia, ser solidário apesar da distância da história, e se colocar no lugar do outro é próprio dos fortes de alma e da resistência ao simples da vida. É próprio desde o batismo, é próprio de Maria, chão de preces que prova que sonhar é grátis, que amigos crescem à longa distância com o coração no lugar certo e que transforma todos os dias num milagre interno de paz quando a guerra ronda ao redor. O Vietnã tá pixado pelas pedras do Arpoador (mando a foto depois), mas ele re-existe - mesmo - em manifestos como esse escrito aí em cima. Nesse retrato nunca considerado de maneira tão próxima como a vivida pelo seu olhar. E nas palavras onde sempre existe silêncio ocidental. Maria e João vocês me comovem. Corações justos. o Vietnã merece vocês. Choro como se não tivesse escolha.
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