terça-feira, 2 de abril de 2013

O Vietnã não ganhou a guerra



Ontem saímos do Vietnã. Não foi fácil, acreditem.
O Vietnã foi um dos lugares mais hipnotizantes para mim até agora. Não começarei a falar pelos lindos campos de arroz ou pela vegetação que engole até mesmo os mais acostumados com belas paisagens. Serei bem direta, amigos: a covardia internacional moldou essa gente. Tenhamos todos consciência da sociedade que vivemos. Aqui eles não nos deixam esquecer do quanto lutaram para apenas permanecer. Fazem questão de nos lembrar quantas crianças e jovens foram ao combate, quantas famílias viveram debaixo da terra em túneis que de tão precários acabaram aniquilando os americanos e sua ganância. É latente. Não há história no Vietnã sem guerra.
Chegamos aqui e foi difícil de engolir, de relaxar, de escrever, de pensar. Vergonha de ser humano.
Segundo o anti-humano comentarista da GloboNews e colunista da Veja, Diogo Mainardi, a guerra é apenas uma mera ferramenta que a diplomacia utiliza quando as palavras são em vão. Isso é cinismo. Não sou cínica, sou apaixonada. Foi assim que a minha sogra me ajudou a dividir o quadro da sociedade que vivemos: sejamos apaixonados ou vivamos no cinismo frio.
De paixões o mundo é formado, por favor, amigos apaixonados, não esqueçamos do que uma guerra é capaz!

O Agente Laranja foi uma das armas químicas aqui amplamente pulverizadas. Com a desculpa de "escamar as árvores da intensa mata" e enxergar os "alvos amarelos" , contaminaram rios, plantações, solo, os vietcongues, os soldados americanos e suas gerações eternamente. As consequências são vivas até hoje, com uma geração inteira, ou 3milhões de vietnamitas, que nascem completamente deformados, pagando com a vida uma dívida internacionalmente americana.

Quem venceu a guerra não foram os Vietcongues, mas empresas como a Monsanto, que produzia largamente o Veneno Laranja. Hoje ela produz venenos sob a tutela do nosso governo brasileiro: soja transgênica - modificada geneticamente para ser a única coisa a resistir aos pesticidas™, também produzidos pela Monsanto (!) que matam tudo o que encontram no exército verde dos campos de soja no nosso sul-centroeste.
No Vietnã, a maldita empresa foi a pioneira e ainda na década de 60 produziu os primeiros seres-humanostransgênicos.

Enxerguemos uma guerra em curso, uma ditadura infiltrada no cotidiano de todo mundo, um veneno esmaecido e camuflado. O sentido que nossa comunidade global toma em seu curso. Mísseis Napalm e Agente Laranja foram usados massivamente para impor o poder americano aqui, mas foi este "sentido da comunidade global" que conseguiu - não sem menos vítimas - impor o padrão de consumo desenfreado e mortal.
Meditemos: quem venceu a guerra? Macintosh é sinônimo de grife (e estampa não só computadores, como bolsas, sapatos, roupas...), o turismo corrói até as mais belas ilhas de Halong Bay,  anúncios de todo tipo de eletrônicos ofuscam nossas visão em Hanoi ou Saigon. Socialismo aqui só mesmo no visto de entrada.

Este pedaço ínfimo de lugar no mundo foi invadido quatro vezes  (China, Japão, França, EUA).  Ainda estão aqui tentando construir uma sociedade que se diz socialista no papel, mas faz o Tio Ho (ou Ho Chi Mihn) arrepiar a careca embalsamada no seu mausoléu.  

Foi por paixão que dei  a volta ao mundo até aqui. Isso todos sabem. Foi com paixão que escrevi esse manifesto e ainda com paixão acredito que até os cínicos
tomarão consciência. A guerra do capital é vigente, o carioca pode sentir isso.
 http://comitepopulario.wordpress.com/
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1252388-apos-expulsao-indios-da-aldeia-maracana-no-rio-brigam-entre-si.shtml
http://www.youtube.com/watch?v=gkQN5gopWSU
http://www.brasildefato.com.br/node/9407
http://www.brasildefato.com.br/node/9401

Leiam:
a tradução da carta está aqui

5 comentários:

  1. Maria, eu acordo todos os dias e digo para mim mesma que preciso continuar sendo apaixonada.
    bjs e saudades Dadá

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  2. Sim, contra o capital, viva Chávez! Viva Fidel! Viva Lula! Viva Dilmão!
    Bjs
    Titia

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  3. o amor resiste!!! bjs nunuba

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  4. Caracas minha filha é revolucionária...rsrsrs viva Tche... Agora posso viver em paz. Viva a vida!!!!

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  5. Caraca! Minha filha é humana e vê e vive o que a sociedade insiste em negar: Tolerância. Comover-se com a dor alheia, ser solidário apesar da distância da história, e se colocar no lugar do outro é próprio dos fortes de alma e da resistência ao simples da vida. É próprio desde o batismo, é próprio de Maria, chão de preces que prova que sonhar é grátis, que amigos crescem à longa distância com o coração no lugar certo e que transforma todos os dias num milagre interno de paz quando a guerra ronda ao redor. O Vietnã tá pixado pelas pedras do Arpoador (mando a foto depois), mas ele re-existe - mesmo - em manifestos como esse escrito aí em cima. Nesse retrato nunca considerado de maneira tão próxima como a vivida pelo seu olhar. E nas palavras onde sempre existe silêncio ocidental. Maria e João vocês me comovem. Corações justos. o Vietnã merece vocês. Choro como se não tivesse escolha.

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