Os últimos dois dias foram literalmente desgastantes.
Comprar passagens de última hora não foi boa ideia, por isso
já temos nossos tickets de trem para nossa próxima parada.
Não conseguimos trem para Hampi, logo viemos de ônibus.
Comumente passagens de ônibus são ‘sleepers’ ou leitos. Mais uma vez
enfrentamos as estradas deitados chacoalhando. O lado bom era perceber que as
estradas da Bahia ou Minas são incrivelmente bem cuidadas e sinalizadas perto
dessas aqui. Parecíamos milho na panela de pipoca dentro daquele ônibus.
A estrada é quase de terra, mas olhando de perto (e nós o
fizemos quando o ônibus fez uma das 37 paradas noturnas, mas isso é capítulo 2)
pode-se notar que é asfalto realmente. Um asfalto tão esburacado que deixa as
lembranças de Mauá amenas.
Foram 10 horas nesse clima de montanha até Hampi. Lá pela 8a
hora, o João percebeu que estava bem enjoado e dai em diante colocou tudo que
podia pra fora. Chegamos aqui e seu estado evoluiu para uma gastrite
inebriante. Eu, é claro, não estava alheia a tudo isso. Os humores nunca são
poupados quando os estômagos são atacados. Eu estava atacada. Minha barriga
mais ainda.
Com muito êxtase, posso dizer que tudo isso é passado!
Hampi é uma espécie de Meca para os indianos, Aparecida do
Norte para os católicos brasileiros ou uma Salvador cheia dos terreiros. Hampi
é muito sagrada. Uma terra antiga e até
hoje preservada pelos seus peregrinos.
O império Vijaynagara a ocupou fez dela um parque de
diversões com templos para todos os deuses, Shiva, Ganesha, Durga, Hanuman e
muitos outros. No século XVI muçulmanos a ocuparam por questões estratégicas e
ignoraram todos os templos, preservando-os juntamente com as ruínas do período
anterior.
Ou seja, essa terra é poderosa. Dá pra sentir quando se pisa
aqui.
Macumbeiros, claro, só entramos nos templo batendo no chão e
pedindo licença.
E como toda boa macumba fez a limpeza espiritual (e
corporal) que precisávamos antes de pisarmos aqui, depois de passarmos por Mumbai e Goa.
vista do terraço do nosso hotel para o principal templo daqui, Virupaksha, de Shiva
o interior do templo
um dos responsáveis do templo
vista do rio que divide a cidade


