quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Limpeza espiritual

Os últimos dois dias foram literalmente desgastantes.
Comprar passagens de última hora não foi boa ideia, por isso já temos nossos tickets de trem para nossa próxima parada.
Não conseguimos trem para Hampi, logo viemos de ônibus. Comumente passagens de ônibus são ‘sleepers’ ou leitos. Mais uma vez enfrentamos as estradas deitados chacoalhando. O lado bom era perceber que as estradas da Bahia ou Minas são incrivelmente bem cuidadas e sinalizadas perto dessas aqui. Parecíamos milho na panela de pipoca dentro daquele ônibus.
A estrada é quase de terra, mas olhando de perto (e nós o fizemos quando o ônibus fez uma das 37 paradas noturnas, mas isso é capítulo 2) pode-se notar que é asfalto realmente. Um asfalto tão esburacado que deixa as lembranças de Mauá amenas.
Foram 10 horas nesse clima de montanha até Hampi. Lá pela 8a hora, o João percebeu que estava bem enjoado e dai em diante colocou tudo que podia pra fora. Chegamos aqui e seu estado evoluiu para uma gastrite inebriante. Eu, é claro, não estava alheia a tudo isso. Os humores nunca são poupados quando os estômagos são atacados. Eu estava atacada. Minha barriga mais ainda.
Com muito êxtase, posso dizer que tudo isso é passado!
Hampi é uma espécie de Meca para os indianos, Aparecida do Norte para os católicos brasileiros ou uma Salvador cheia dos terreiros. Hampi é muito sagrada.  Uma terra antiga e até hoje preservada pelos seus peregrinos.
O império Vijaynagara a ocupou fez dela um parque de diversões com templos para todos os deuses, Shiva, Ganesha, Durga, Hanuman e muitos outros. No século XVI muçulmanos a ocuparam por questões estratégicas e ignoraram todos os templos, preservando-os juntamente com as ruínas do período anterior.
Ou seja, essa terra é poderosa. Dá pra sentir quando se pisa aqui.
Macumbeiros, claro, só entramos nos templo batendo no chão e pedindo licença.
E como toda boa macumba fez a limpeza espiritual (e corporal) que precisávamos antes de pisarmos aqui, depois de passarmos por Mumbai e Goa.





vista do terraço do nosso hotel para o principal templo daqui, Virupaksha, de Shiva

o interior do templo 

 um dos responsáveis do templo


vista do rio que divide a cidade

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Êxodo nº2


Hoje é nossa partida de Anjuna, Goa.
Parece que agora começaremos a conhecer esse país distante. Se Mumbai não expressa a receptividade dessa gente, tampouco Goa consegue, afundada nos turistas e comerciantes.
O tom mercantilista afina as relações por aqui e cada conversa pode virar uma transação comercial. Na mesma moeda pode-se dizer que cada venda é baseada numa boa conversa e uma história a se ouvir (ou uma história a se contar).
Foi um choque bem violento e inesperado. Não viemos às compras, mas os olhos azuis do João e a minha brasilidade inerente não escondem quem somos aqui: gringos. Cada gringo significa dollar, cada dollar significa 55 rúpias, uma refição interia 120 rúpias. Representamos o que eles não tem: os ombros de fora, tênis all star, as notas verdes, o alcance do dinheiro.
Um povo extremamente comunicativo faz as vendas pelo contato. Cada carro que nos vê pára e pergunta "táxi, táxi?" (me lembra as vans aos berros "passarela da barra, rocinha!!!), cada menina vestida em seus lenços me vê e pergunta "quer ver minhas jóias?", isso quando não sacam uma linha e saem dando nós nos cabelos das pernas "vc tem que se depilar, eu faço depilação com linha!!". Um homem, assim que chegamos em Anjuna, brota com uma agulha de tricot e limpa a orelha do João no meio da rua, claro, oferecendo seus tratamentos de limpeza de ouvido. "Lakshmi, Lakshmi, dê dinheiro pra Lakshmi!" dizia uma senhora, que reclama as 10 rúpias que demos pra sua imagem da deusa da fortuna. Garçons parados nas portas dos restaurantes: "ei, ei, quer jantar? quer peixe? quer frango? quer alface?!" 
Bem desgastante, mas como mais um aspecto bizarro daqui, pegamos o jeito da coisa.
Amanhã estaremos em Hampi, no estado de Karnataka. Chegaremos por volta das 22h dai. Veremos o que nos espera lá, mas imagino que não mais a euforia translocada dos vendedores daqui. Hampi vai desabrochar outros aspectos dessas cultura colorida.

nosso último almoço no German Bakery, restaurante mais charmoso
(todos aqui são charmosos)

 os fantasmas da feira de artesanato de quarta feira

o último por-do-sol



essa legenda dispensa apresentações ♥ OM 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Mumbai

Mumbai, até nunca mais... (mentira, daqui a pouco tamo lá de novo, puta merda)


Mumbai from João Maia on Vimeo.

Vagator


meta-blogando

Ontem tiramos nosso primeiro dia para não fazer absolutamente nada. Maria dormiu até as quatro horas e eu fiquei bundando pelo hotel. A noite, pra dar uma animada, fomos ver como era a sexta feira a noite na praia de Anjuna. O que encontramos foi muito decadente: um misto de boate e rave tocando um trance pesadissimo de quinta categoria cheia de senhoras indianas vendendo ovos e cigarro na frente. Até pensamos em dar uma olhada la dentro, mas a entrada era 1000 rúpias (mais ou menos U$20) para homens. Então fomos pra casa e encerramos mais cedo.


a moda aqui é curiosa


Hoje fomos a praia de Vagator, é a praia mais próxima dessa na qual estamos. Essas duas praias são muito parecidas: uma areia fininha meio acinzentada, muitas pedras e uma infinidade de bares qualando a areia de espriguiçadeiras e guarda sol. Não tem muito jeito, ninguem em toda a praia usa uma canga ou senta no chão. Todo mundo esta nas espriguiçadeiras então para lá também fomos.


A fauna nas praias de goa é bem variada


Vagator hoje estava entupida de indianos. Eram dezenas de homens na agua pulando e gritando de forma completamente histrionica. Acho que não há nenhum povo no mundo mais farofeiro que os indianos. É uma falta de classe tamanha e tão despudorada que chega a quebrar a gente. Uma coisa Clownesca.


A prova final

 Somos extremamente pão duros, de forma que resolvemos retornar da praia a pé (a jornada para lá de Auto-Ricshaw foi 100 rúpias, 2U$D, achamos muito caro). Acima de tudo isso serviu para dar fim a uma das grandes questões já contempladas pelo clan Maia. No caminho não é que nos deparamos com várias cabras ESCALANDO UMA ARVORE! Sim, não era loucura, cabras escalam arvores! Então está ai a prova final.

Eu que fiz!

Boa noite pra todos, que deve ser bom dia ai, amanhã posto um video novo de Mumbai!







sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Fizemos um videozinho aqui em Anjuna:





Mas o post principal tá aqui em baixo...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Goa fellings

"-AHH! Não aguento mais tirar fotos!"

Goa tem um modelo bem diferente de cidade indiana. Inclusive, o modelo da foto resolveu fazer uma carinha diferente essa vez, para também fugir do normal.
Uma mistura de Búzios com Universo Paralello. 80% das pessoas são turistas, 90% dos turistas são russos, 100% dos russos são grosseiros. Isso aqui foi, um dia, o refúgio do movimento hippie, lugar tão utópico que serviu para criação de um novo conceito de música. Maravilhoso, mas essa época acabou. Agora têm esse clima decadence avec elegance.



É encantador de qualquer jeito. Ao fundo um trance boladão não nos deixa sós e há um clima profundamente à vontade aqui. Uma India praiana, com todas as suas cores e informalidade. 



Sem contar que é no mínimo bizarra a relação dos indianos com a natureza. Eles vêem a alma das coisas, encontram espiritualidade em tudo. Por isso a vaca fica aqui com a gente, pegando um solzinho, mas nem por isso elas deixam de passar fome e avançar na nossa recém comprada melancia (inteira, fechada, com casca).
Outra coisa curiosa (ou totalmente engraçada) são os indianos aqui caindo no mar de roupas, rolando da areia e se enterrando à beira d'água. 



Tá, confesso, tá incrível!








quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Exodo Nº1

Ontem foi nosso último dia em Mumbai, graças a Ganesh. Aproveitamos para conhecer um museu cujo nome jamais serei capaz de lembrar ou pronunciar. O jardim e a arquitetura do lugar eram lindos.

ó nóis aí

Era um museu de história natural, mas era composto basicamente de estatuas e imagens religiosas asiáticas. Acho que é uma história natural para quem vêm na asia ver essas coisas.

Mary e Durgá


Moi et le Budá

Mumbai é uma cidade tão grosseiramente poluida que nós desenvolvemos um pigarro violentissmo junto com uma tosse seca, acho que é uma espécie de alergia sei la. Nossa sede era tamanha que estavamos fazendo qualquer negócio pra hidratar os pescocinhos.


"Drinking Water"

Do not drink of the "drinking water", diriam os sabios. Depois de um trânsito de uma hora e quarenta chegamos ao hotel prontos para enfim, deixar Mumbai. Nosso onibus partia nove e meia da noite. Qual foi nossa surpresa quando chegamos nele e percebemos que não havia cadeira nenhuma, mas uma série de cabines, como num trêm, cada uma com uma caminha. Isso seria muito fofo, não fosse pelo fato de que nossa cabine era a última do busão e a estrada era composto por 80% de serras intensas. Foram doze horas de saculejo, sensação semelhante a uma roupa dentro de uma secadora. Não sei como conseguimos dormir.

Parece confortavel né?

Mas não é nem um pouco!

Hoje enfim chegamos a Goa, é bom respirar um pouco de O2 novamente!



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Estrela de Bollywood: Pearl`s Hotel em Chembur!


entre amanhã e depois sairá de cartaz a pérola das telonas indianas: MahaBactérias! Um musical incrível estrelado num dos melhores hotéis de Chembur (algo como Andaraí ou Maracanã). apresentando baldinhos como papel higiênico, privada que nunca viu cloro e cortinas de limo!!!!! um estouro que infelizmente deixa a cena...






sábado, 19 de janeiro de 2013

há sempre a luz no fim do túnel...mesmo que seja a luz mais empoeirada do globo


19.01.2013_mumbai

foram deliciosas 4 horas de trânsito. o primeiro taxista que não quis nos passar a perna. taxi aqui é pra pobre, os ricos têm carros novos e com ar-condicionado. em mumbai é normal respirar o mesmo ar do escapamento do caminhão de lixo ao lado. aliás, vc nem repara mais se o caminhão é de lixo ou de qualquer outra coisa. é tudo igual.




de táxi fomos atrás do refúgio. Sanjay Gandhi National Park. lá tem verde (árvores marrons) e ruínas desenhadas no séc XII a.C. melhor de tudo é poder interagir diretamente com esta anciã escultura sem ter ficar horas numa fila. tudo é permitido. desde que a mulher seja de pedra, de carne e osso só interagem de forma não permitida esse indianos... brincadeirinha, mãe.


na real, diz-se por ai que os indianos são mais receptivos que nós latino brasileiros. ontem não tivemos tanta sorte assim, hoje encontramos melhores representantes da cultura hindu.





ao fundo inferno que nos espera, uma cortina de fumaça tão densa que até abraça. mumbai é bizarro, mas a índia começando a nos encantar.

Mumbai é o inferno






Mumbai sempre acha as formas mais sutis de te pregar uns truques e foder com a tua vida. Taxistas desagradaveis e frageis ao mesmo tempo, espertalhões por segundo ou puras tentativas de golpe. Mas, falcatruas a parte, acho que "Welcome to Asia" é o feeling do momento.



Ontem comemos no "Leopold Café", meio "caro" (em média U$6,50 uma refeição, até então vinhamos pagando U$2,50 no máximo) mas bem gostoso. Acho que a sensação gastro-aromática desse continente é uma versão estendida por metade do globo das Casas Pedro (ou será que as Casas Pedro são uma metonimia tupiniquim da Asia?).



Uma grande surpresa pra mim foi descobrir que aqui na India a viadagem é estimulada desde cedo. Nos disseram que as primeiras experiências sexuais são sempre homossexuais aqui, mas não sei da veracidade dessa informação. Além de serem absolutamente misóginos e porcos, os homens aqui passam o tempo inteiro se abraçando e andam até de mãos dadas. Eu e gabriel entramos no clima lá no Gateway of India.









quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Caos. Caos. Caos. Ah, o Caos.

Como é possivel que algum lugar no mundo seja assim? Os cheiros, as visões, a pobreza: hoje fomos bem vindos a Mumbai. Tivemos um enigmático almoço vegetariano que já me pareceu carregado na pimenta e pelo visto nem era. Se não fosse pela ajuda do nosso camarada Mariote não sei como seriamos capazes de nos comunicar ou entender qualquer coisa desse lugar. Acho que tenho medo de alfabetos estrangeiros.

No fim do dia mais importante é que visitamos o caótico templo do nosso Senhor Vinayaka.

Om Gam Vinayakaye Namaha!



Laranjinha fazendo puja no Sri Siddhi Vinayaka Temple





london. 14.00
primeira chegada, mas ainda é o meio da estrada.
aeroporto, comida estranha, aqui tem internet, não se acostumem.
beijos e em breve,
sol raiando no horizonte ásia