O tempo passa mais lento e pesado enquanto estamos na India. Cada jornada é uma batalha e cada mínimo acerto, uma vitória. Novos valores são diariamente agregados ao nosso dicionário internacional de Ser Humano, estamos sendo.
Não, vocês não estão no país errado, este post é sobre Banguecoque, Tailândia. Mas foi apenas uma passagem. Intensa, como sempre, rápida e muito mais leve que a velha India. Comecemos pelo início:
Seeeeeenta que lá vem história. (tudo o que é laranja é link!)
Nesse mundo que é redondo andamos, andamos e chegamos ao mesmo lugar. Claro que isso não é verdade e a Tailândia e o Brasil não têm ligação nenhuma ao longo do globo.
Mas…
Nossa caminhada começou a parar em lugares que não esperávamos. O sudeste asiático é um paraíso cultural onde a sede da maioria das pessoas se fartaria. Chegar até aqui nunca é fácil, somos todos latino americanos terceiro-mundistas. Porém, isso aqui é um play ground europeu. Vôos diários ligando Inglaterra ou Russia à "bucólicas cidadeszinhas" vietnamitas ou tailandesas transformam-nas em uma filial da Barra da Tijuca….ou quase.
Quando realizamos estávamos na rota da seda do turista do sudeste asiático. De cidade em cidade os mesmo pacotes nos eram oferecidos, uma homogeneização horizontal descaracterizando não só a paisagem cultural, mas como nosso interesse real. Na boa, paulista vai pro Rio tomar chopps no Belmonte? Era mais ou menos isso que tava acontecendo.
Bem, queridas famílias, foram vocês nos deram asas e como voamos.
Compramos passagens no dia seguinte à esta constatação para um destino desconhecido.
Juro, desconhecido mesmo. Ou vocês já ouviram falar de Andaman Islands?!
Uma tripa de terra no Oceano Índico, entre o litoral oeste tailandês e leste indiano. Virado para Ko Phi Phi - locação do filme 'A Praia', porém longe de ser o paraíso intocado do filme e perto demais de um clichê turístico internacional. No além mar que nossa imaginação pode chegar acho que chegaremos à Andaman Islands.
Bangkok foi só uma escala. Aproveitamos dela tudo que sentíamos falta do um mundo ocidentalizado (menos vocês…isso nem em Bangkok): comida boa, pessoas que sabem dar informação, hotel limpinho, cerveja, europeus bêbados. Era o ano novo tailandês - Songkram - e nós nem sabíamos. Foram 4 intensos dias debaixo d`água, acima dos 40graus, sem saber quanto tempo mais ia durar, rezando pra acabar. Essa festa não fazia sentido na minha cabeça e quando eu pensava muito nisso, levava logo uma baldada de água com gelo para esquecer. Não há escolha, somos todos alvos no Songkram. Inclusive minha vó seria, não há ressalvas.
Claro que nem sempre foi assim, uma selvageria, e que o turismo tem tudo a ver com isso.
Bangkok ganhou a alcunha de ser o fim último dos festeiros e beberrões. Fanfarrões do mundo inteiro se encontram aqui.
Já o Songkram é a festa mais importante da região - para os tailandeses. A ideia era lavar a imagem do Buda com água de flores. Um ritual em família, onde simbolicamente os familiares também lavavam uns aos outros com pequenas porções da mesma água.
As proporções atuais desse ritual são tsunâmicas: baldes e armas de água tomam a cidade, juntamente com uma pasta de talco branca, a qual todos adoram se lambuzar. Ninguém escapa. As ruas viram rios e não podemos sair com câmera ou qualquer coisa que não possa ficar encharcado. As armas alteram - na minha opinião - radicalmente o sentido original da coisa. Ao invés de 'dar uma benção', agora 'dá-se um tiro'. Viramos todos alvos de um batalha. A cidade praticamente se esvazia de cidadãos locais - que vão ao interior festejar tradicionalmente com as suas famílias - e transborda de turistas excitados por fazer uma lambança que não podem fazer em casa. Qualquer semelhança com o carnaval carioca é mera coincidência, pois o lúdico aqui é em torno de uma guerra.
Como eu disse, Bankok foi só de passagem. Passagem para a India - Calcutá - 3 dias para, enfim, voarmos para nosso paraíso (que faz parte do território indiano).
A calorosa recepção indiana, por volta dos 41 graus, eu narrei no início. Aqui não faz parte da mesma rota da seda asiática. Porque incomoda, incomoda, incomoda…e incomoda muito mais. Por isso Andaman Islands. Ah, lá também tem elefante.
armados para o Songkram
no espírito da alegria
jonhzie é rei nessa tailândia
festa junina no templo
o maior Budão deitado do mundo (haja água pra benzer esse ai)
nhom!
o deus gatinho
e o real Songkram