sexta-feira, 19 de abril de 2013

Bangkok


O tempo passa mais lento e pesado enquanto estamos na India. Cada jornada é uma batalha e cada mínimo acerto, uma vitória. Novos valores são diariamente agregados ao nosso dicionário internacional de Ser Humano, estamos sendo. 

Não, vocês não estão no país errado, este post é sobre Banguecoque, Tailândia. Mas foi apenas uma passagem. Intensa, como sempre, rápida e muito mais leve que a velha India. Comecemos pelo início:

Seeeeeenta que lá vem história. (tudo o que é laranja é link!)

Nesse mundo que é redondo andamos, andamos e chegamos ao mesmo lugar. Claro que isso não é verdade e a Tailândia e o Brasil não têm ligação nenhuma ao longo do globo. 
Mas…
Nossa caminhada começou a parar em lugares que não esperávamos. O sudeste asiático é um paraíso cultural onde a sede da maioria das pessoas se fartaria. Chegar até aqui nunca é fácil, somos todos latino americanos terceiro-mundistas. Porém, isso aqui é um play ground europeu. Vôos diários ligando Inglaterra ou Russia à "bucólicas cidadeszinhas" vietnamitas ou tailandesas transformam-nas em uma filial da Barra da Tijuca….ou quase.
Quando realizamos estávamos na rota da seda do turista do sudeste asiático. De cidade em cidade os mesmo pacotes nos eram oferecidos, uma homogeneização horizontal descaracterizando não só a paisagem cultural, mas como nosso interesse real. Na boa, paulista vai pro Rio tomar chopps no Belmonte? Era mais ou menos isso que tava acontecendo. 

Bem, queridas famílias, foram vocês nos deram asas e como voamos. 

Compramos passagens no dia seguinte à esta constatação para um destino desconhecido. 
Juro, desconhecido mesmo. Ou vocês já ouviram falar de Andaman Islands?!
Uma tripa de terra no Oceano Índico, entre o litoral oeste tailandês e leste indiano. Virado para Ko Phi Phi - locação do filme 'A Praia', porém longe de ser o paraíso intocado do filme e perto demais de um clichê turístico internacional. No além mar que nossa imaginação pode chegar acho que chegaremos à Andaman Islands. 

Bangkok foi só uma escala. Aproveitamos dela tudo que sentíamos falta do um mundo ocidentalizado (menos vocês…isso nem em Bangkok): comida boa, pessoas que sabem dar informação, hotel limpinho, cerveja, europeus bêbados. Era o ano novo tailandês - Songkram - e nós nem sabíamos. Foram 4 intensos dias debaixo d`água, acima dos 40graus, sem saber quanto tempo mais ia durar, rezando pra acabar. Essa festa não fazia sentido na minha cabeça e quando eu pensava muito nisso, levava logo uma baldada de água com gelo para esquecer. Não há escolha, somos todos alvos no Songkram. Inclusive minha vó seria, não há ressalvas. 
Claro que nem sempre foi assim, uma selvageria, e que o turismo tem tudo a ver com isso. 
Bangkok ganhou a alcunha de ser o fim último dos festeiros e beberrões. Fanfarrões do mundo inteiro se encontram aqui. 
Já o Songkram é a festa mais importante da região - para os tailandeses. A ideia era lavar a imagem do Buda com água de flores. Um ritual em família, onde simbolicamente os familiares também lavavam uns aos outros com pequenas porções da mesma água. 
As proporções atuais desse ritual são tsunâmicas: baldes e armas de água tomam a cidade, juntamente com uma pasta de talco branca, a qual todos adoram se lambuzar. Ninguém escapa. As ruas viram rios e não podemos sair com câmera ou qualquer coisa que não possa ficar encharcado. As armas alteram - na minha opinião - radicalmente o sentido original da coisa. Ao invés de 'dar uma benção', agora 'dá-se um tiro'. Viramos todos alvos de um batalha. A cidade praticamente se esvazia de cidadãos locais - que vão ao interior festejar tradicionalmente com as suas famílias - e transborda de turistas excitados por fazer uma lambança que não podem fazer em casa. Qualquer semelhança com o carnaval carioca é mera coincidência, pois o lúdico aqui é em torno de uma guerra. 

Como eu disse, Bankok foi só de passagem. Passagem para a India - Calcutá - 3 dias para, enfim, voarmos para nosso paraíso (que faz parte do território indiano).
A calorosa recepção indiana, por volta dos 41 graus, eu narrei no início. Aqui não faz parte da mesma rota da seda asiática. Porque incomoda, incomoda, incomoda…e incomoda muito mais. Por isso Andaman Islands. Ah, lá também tem elefante

armados para o Songkram

no espírito da alegria

jonhzie é rei nessa tailândia

festa junina no templo

o maior Budão deitado do mundo (haja água pra benzer esse ai)

nhom!

o deus gatinho

e o real Songkram





quarta-feira, 10 de abril de 2013

O Lao

Aqui no Lao é quente. A capital é quente e bege, parece a avenida brasil com um arco do triunfo no meio. Bate-se o suco com um bando de gelo pra fazer um refresco bem geladinho. Tem maconha e opio no menu do restaurante. Tem multidões de ingleses e alemães bebados descendo o rio em pneus de caminhão. Tem mongezinho andando pela floresta usando um guarda chuva vagabundo de sombrinha pra se proteger do sol. Tem pessoas na beira da estrada tecendo paredes de palha para seus barracos-ocas. Tem guerra de agua com direito a baldadas surpresas que te deixam ensopado. Tem cachoeiras e lagos de um azul etéreo.Tem balão que deixa pertinho das nuvens. Tem cavernas de um breu que cala e de uma profundidade que pressiona. Tem muito Sabaidee e Khop Chai. Tem deuses hindus em versões de olhos puxados. Tem moto mesmo que não tenha carteira. Tem gente tomando banho de calça e camiseta. Tem templos "heritage". Tem um veiculo muito comum que é um pau de ararazinho que eles também chamam de tuk-tuk.Tem eu e Maria aqui agora, como nunca, ou quem me dera quase nunca. E tem saudade, saudade agora já desse momento, saudade de quem ta longe e de quem ta mais longe ainda. Tem a mais deliciosa saudade.


jatos de fogo

Paúra nas alturas




Laranjinha

tarzan no paraiso

Benção do Buda

A mais linda das cavernas

Custa 5000$K pra cruzar.

Ursinhos

terça-feira, 2 de abril de 2013

O Vietnã não ganhou a guerra



Ontem saímos do Vietnã. Não foi fácil, acreditem.
O Vietnã foi um dos lugares mais hipnotizantes para mim até agora. Não começarei a falar pelos lindos campos de arroz ou pela vegetação que engole até mesmo os mais acostumados com belas paisagens. Serei bem direta, amigos: a covardia internacional moldou essa gente. Tenhamos todos consciência da sociedade que vivemos. Aqui eles não nos deixam esquecer do quanto lutaram para apenas permanecer. Fazem questão de nos lembrar quantas crianças e jovens foram ao combate, quantas famílias viveram debaixo da terra em túneis que de tão precários acabaram aniquilando os americanos e sua ganância. É latente. Não há história no Vietnã sem guerra.
Chegamos aqui e foi difícil de engolir, de relaxar, de escrever, de pensar. Vergonha de ser humano.
Segundo o anti-humano comentarista da GloboNews e colunista da Veja, Diogo Mainardi, a guerra é apenas uma mera ferramenta que a diplomacia utiliza quando as palavras são em vão. Isso é cinismo. Não sou cínica, sou apaixonada. Foi assim que a minha sogra me ajudou a dividir o quadro da sociedade que vivemos: sejamos apaixonados ou vivamos no cinismo frio.
De paixões o mundo é formado, por favor, amigos apaixonados, não esqueçamos do que uma guerra é capaz!

O Agente Laranja foi uma das armas químicas aqui amplamente pulverizadas. Com a desculpa de "escamar as árvores da intensa mata" e enxergar os "alvos amarelos" , contaminaram rios, plantações, solo, os vietcongues, os soldados americanos e suas gerações eternamente. As consequências são vivas até hoje, com uma geração inteira, ou 3milhões de vietnamitas, que nascem completamente deformados, pagando com a vida uma dívida internacionalmente americana.

Quem venceu a guerra não foram os Vietcongues, mas empresas como a Monsanto, que produzia largamente o Veneno Laranja. Hoje ela produz venenos sob a tutela do nosso governo brasileiro: soja transgênica - modificada geneticamente para ser a única coisa a resistir aos pesticidas™, também produzidos pela Monsanto (!) que matam tudo o que encontram no exército verde dos campos de soja no nosso sul-centroeste.
No Vietnã, a maldita empresa foi a pioneira e ainda na década de 60 produziu os primeiros seres-humanostransgênicos.

Enxerguemos uma guerra em curso, uma ditadura infiltrada no cotidiano de todo mundo, um veneno esmaecido e camuflado. O sentido que nossa comunidade global toma em seu curso. Mísseis Napalm e Agente Laranja foram usados massivamente para impor o poder americano aqui, mas foi este "sentido da comunidade global" que conseguiu - não sem menos vítimas - impor o padrão de consumo desenfreado e mortal.
Meditemos: quem venceu a guerra? Macintosh é sinônimo de grife (e estampa não só computadores, como bolsas, sapatos, roupas...), o turismo corrói até as mais belas ilhas de Halong Bay,  anúncios de todo tipo de eletrônicos ofuscam nossas visão em Hanoi ou Saigon. Socialismo aqui só mesmo no visto de entrada.

Este pedaço ínfimo de lugar no mundo foi invadido quatro vezes  (China, Japão, França, EUA).  Ainda estão aqui tentando construir uma sociedade que se diz socialista no papel, mas faz o Tio Ho (ou Ho Chi Mihn) arrepiar a careca embalsamada no seu mausoléu.  

Foi por paixão que dei  a volta ao mundo até aqui. Isso todos sabem. Foi com paixão que escrevi esse manifesto e ainda com paixão acredito que até os cínicos
tomarão consciência. A guerra do capital é vigente, o carioca pode sentir isso.
 http://comitepopulario.wordpress.com/
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1252388-apos-expulsao-indios-da-aldeia-maracana-no-rio-brigam-entre-si.shtml
http://www.youtube.com/watch?v=gkQN5gopWSU
http://www.brasildefato.com.br/node/9407
http://www.brasildefato.com.br/node/9401

Leiam:
a tradução da carta está aqui