segunda-feira, 25 de março de 2013

Você esgarçou a minha ceroula!!!!

A vida de casal anda muito intensa, são mesmo muitas as preocupações e brigas...


Esgarçar a ceroula do marido não pode, ok?!!
Nem pra fazer o monstro sem braços...






segunda-feira, 18 de março de 2013

Việt Nam !!!

Talvez senha sido a experiência desconfortável do Sri Lanka, (confesso que eu, pessoalmente, adorei o Sri) talvez os livros escolares, talvez o sorriso expontâneo, talvez a comida, talvez a aura, talvez a História, talvez o arroz, talvez os palitinhos....
O que nos fez nos tão à vontade no Vietnã?!  
Quando tivemos esse ímpeto de vir parar aqui? 
Pessoalmente, sempre achei que fosse me identificar com esse pedacinho de terra tão distante.
A história que esse lugar conta é muito comovente, um povo forte e sarcástico. Simplesmente adoro isso.

Vamos às primeiras curiosidades locais que encontramos:

Ho Chi Mihn, a capital, tem 10 milhões de habitantes, 400 mil carros e 5 milhões de motocicletas!!! O trânsito parece um vespeiro nômade. 
Apesar dos vietcongues terem vencido a guerra, a economia de mercado aqui valente entupiu de marcas, lojas, turistas e um ar ocidentalizado o país. Portanto, cafeterias e queijo são muito mais comuns aqui (sim, aqui tem queijo! mas só um pouquinho). 
Os hotéis são limpinhos e cheirosinhos (UFA!).
A comida é deliciosa, apesar da gordureba e dos bichos fritos que encontramos na rua. Aqui eles conseguem fazer um refogado de capim-limão que é um derretimento. Porém, pombo no espeto com cabeça e tudo é uma típica podrão daqui... 
Ninguém fala uma palavra em inglês e a mímica é essencial - obrigada Adriana Maia pelas noções de dramatização, imprescindível aqui. Mas nada como um sorriso que todos se entendem muito bem.
A moeda deve lembrar o Brasil da décade de 80, quando eu nasci:  1 dólar = 20.000 dongs, moeda local. Portanto, aqui somos milionários!!!! Um almoço custa 200 mil! Tiramos 4 milhões no caixa eletrônico. Quem quiser vir nos encontrar, fiquem à vontade porque a gente é rico e tá bancando.
A noção estética também acompanha a derrota oitentista: luzes neon enfeitam os altares budistas de toda casa de família aos templos e monastérios budistas. A música parece inspirada no Boy George ou saída da trilha de um filme da sessão da tarde.
Muitas ruelas onde só passam motos e pessoas quase em fila (lembra as ruelas da Tavares Bastos, no Catete).
As pessoas, mesmo na cidade grande, ainda guardam um bucolismo rural (e família). Morando nessas ruelas, deixam as portas das casas abertas (detalhe: as portas são enormes, e abrem como portão de loja, para pode estacionar a moto na sala) e fazem da rua sua privacidade. Catam arroz, fazem a unha, tomam chá enquanto assistem televisão.
Ah, sim, a TV daqui não gosta de dublar filmes e novelas estrangeiros, preferem, então, uma espécie de tradução simultânea, deixando o som original baixinho ao fundo e uma voz feminina traduzindo para o vietnamita tudo o que todos os personagens falam. Um diálogo é enlouquecedor. Adoro assistir.

Mais notícias vêm por ai, fiquem ligados!

 café da manhã numa cafeteria e queijo(que aqui é doce muitas vezes)
Bonsai gigantes nas pracinhas

a noiva e a casada

a nossa cara!!!!

o neon no altar 

uma senhora fazendo papel de arroz (é de comer)

as ruelas e as motocas

a cozinha no meio da rua

o dinheiro mal valorizado, estampando Ho Chi Minh, líder ultra valorizado!

figurino de teatro vietnamita

certificados de casamento vietnamitas!!!!!!!!!!!!!
   




segunda-feira, 11 de março de 2013

Turismo no Sri Lanka


Corvo

Viajar para mim deve ser um ato sagrado. Isso foi algo que se tornou claro pra mim a um bom tempo, bem antes desta que compartilhamos com vocês. Confesso que fui bastante influenciada por esse texto, muito embora as elaborações nele presentes ja existissem de forma inconsciente na minha cabeça bem antes de lê-lo. Usar a palavra sagrado pode trazer arrepios aos nossos leitores de inclinações mais seculares, portanto, vou tentar me explicar melhor. Sacrificar, em sua origem, é uma palavra que se significa "dedicar a algo". Quando digo que minhas viagens devem ser sagradas quero dizer que dedico-as a um sublime ato: o de conhecer-me, amadurecer, florescer, aprimorar. Não estou interessado nas paisagens que vou encontrar mais do que estou nas mudanças que esses encontros possam gerar em mim.

Residuos do Tsunami?

Hakim Bey, o auto-proclamado anarquista ontologico, propõe no texto supra-citado (para aqueles que tiveram preguiça de ler sequer seus primeiros paragrafos) que o turismo é uma postura que descende diretamente da guerra. A guerra, assim como a peregrinação e o comércio, foi um dos primeiros motivos que fez o homem deixar o seu lar em busca de diferentes territórios, ainda na epoca em que o conceito de turismo não tinha sido inventado. Tendo a concordar com essa visão radical quando vejo nossa pilhagens de fotos e a forma como os vilarejos pelos quais passamos foram feitos refém pelas hordas de ocidentais que chegam e vão todo dia desses pequenos e inóspitos lugares. É como se agora esses sitios só existissem para a apreciação dos que estão de passagem. Saqueamos distraídamente suas culturas e vidas locais. 

Vista sinistra de uma pedra que custava 30 Dolares pra subir.

Confesso que fujo do Turismo como o diabo foge da cruz. Ja o pratiquei por tempo o suficiente para saber que esse modelo de devir não satisfaz meus desejos mais profundos. No entanto, no mundo em que vivemos, essa postura se revela um verdadeiro desafio. Para lutar contra sua influência perene só posso contar com as armas da minha consciencia. Talvez o Sri Lanka tenha sido uma das minhas maiores batalhas.

O Sri Lanka é um país profundamente marcado por sua recente guerra civil. Assim como na India, há ali uma tensão constante entre etnias e culturas que expressam uma clara dificuldade de convivência. A ofensiva dos Tigres do Tamil, um grupo separatista da etnia Tâmil (povo Hindu natural do sul do subcontinente indiano) submeteu a nação a um periodo de vinte e tres anos de violência extrema. Não é preciso dizer que isso afastou grande parte dos turistas que se interessavam em conhecer essa exótica ilha. Ninguém quer que morte e miséria atrapalhem suas memórias de viagem, certo? Portanto desde 2009, quando a guerra acabou, o governo Cingalês vêm correndo contra o tempo. Na sua sede de adentrar o circuito turistico sul-asiático eles munem-se de tudo aquilo que uma nação desse porte precisa ter. Mas para uma pessoa que chega lá como eu, munido desse olhar critico, há algo de estranho nessa história. Uma sede meio imatura de agarrar e seduzir qualquer migalha de atenção que lhe for oferecida.

A deslumbrante vista do hotel mais imundo em que ja fiquei.




Ainda conseguia melhorar no amanhecer.

Não posso ser injusto, estamos tratando de um país com uma natureza estonteante. E olha que moro no Brasil, então essa não é uma declaração vazia. As pessoas são educadas e fomos sempre bem tratados, mesmo que os costumes sejam meio diferentes. O transporte também funciona, é relativamente limpo e confortável, apesar de lento. Sente-se que é um pais em acenção. Mesmo assim, a idéia de país que seus sujeitos insistiam em me vender não estava colando. Havia um discurso de unidade e compreensão entre seus diferentes povos, mas os mesmos sujeitos que tentavam nos vender a paz do Sri Lanka exibiam discursos sectários e de diferenciação étnica. Um senhor que nos contava a história do Sri Lanka em uma estranha situação a beira-rio explicou: "Agora eles estão colocando os Tamîs na jogada, eles botaram um no ministerio. Está certo, eles sabem fazer essa função melhor do que a gente".  Elevando mas separando ao mesmo tempo. As vezes a coisa era mais direta. Quando chegavamos numa cidade com um motorista Cingalês: "Vou levar vocês para um hotel que é um pouco mais caro. Os mais baratos são dos Tamil, eles são sujos". 

Com nosso amigo bigode, à beira rio.

Existe uma necessidade clara lá dentro de reerguer o pais, reestrutura-lo depois de um longo de tempo de fragmentação. Isso se reflete nos altos preços que se encontra por lá. O sudeste da Ásia é um lugar bastante barato para se viajar, pelo que entendi o Sri Lanka é um dos lugares mais caros que você vai encontrar por aqui. Com a recente criação de um numero enorme de taxas o custo de vida é alto para quem mora e quem visita. O pais é violentamente militarizado criando uma tensão constante. Eles praticamente nunca incomodam o turista, mas me parecem suspeitos.

Muitas vezes as diferenças culturais me cansaram. Não foi o lugar mais incrível, nem a coisa mais divertida ou facil estar no Sri Lanka. Mas seria muito facil se todos os lugares fossem a chapada diamantina, ou qualquer outro pico distante e misterioso. Pelas bordas das maquiagens que o departamento de turismo insiste em criar, pudemos contemplar mais um fascinante país. Cheio de contradições, delicias, estranhamentos e encontros.

Afeto pela bandeira.

Beijos a todos, e até breve.

quarta-feira, 6 de março de 2013

06março2013


nada como sair um pouco de cena para as lembranças mergulharem garganta a fundo nas entranhas e gritarem: SAUDADE!

o filme que preparamos trata um pouco disso. recortes, pílulas, da nossa lembrança recente dos nossos primeiros dias de casal casado em mysore. 
foram três semanas navegando num oceano infinito (sem praias, aliás) sonoro, colorido, multicultural. sozinhos num barco (conjugado!)só para nós dois. alugamos este apê, que em tamanho não passava mesmo de uma jangada, mas que foi o veículo para nossas viajens intermináveis dentro de nós mesmos, dentro da india. 
ganhamos uma rotina: todo dia remar e, desta vez, a favor da maré. tivemos tempo para digerir os sabores que nos eram apresentados. tivemos tempo para adoecer (aqui a gastrite é um tempero)e nos cuidar. *suco de luz*, macarrão com molho de tomate feito em casa, melancia. gostinhos familiares, gosto de família. 
aulas de hindi, aulas de yoga, aulas de como florescer nesse mundão que nos engole. 
agora é sri lanka. todas essas pequenas lembranças já são saudade. e descobri que saudade também é hindu. daqui a pouco o joão descobri como se expressa isso em hindi (espero que antes da nossa partida em julho, para eu poder deixar aqui a mensagem e finalmente ser compreendida!).

Ape Mysore from João Maia on Vimeo.

como o tom é saudosista, hoje acordei com a notícia da morte de Hugo Chávez. (e vou finalizar este post com uma pequena citação a ele)
pelo que vi, o rio acordou alagado. não sei se eram lágrimas de março comovidas pelo Comandante ou se eram os céus aprontando o salão pra sua chegada. FATO foi que me perguntam hoje:
-de onde vc é?
-sou do brasil!
-ah! américa latina! o sri lanka está muito triste com a morte de hugo chávez. o sri lanka admira muito o presidente.

precisei viajar meio mundo para ouvir isso com tanta honestidade?
saudoso comandante que fez da venezuela o país com o menor índice de desigualdade da américa latina!