quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Sri Lanka


Gôlle Beach e um suspeito patriotismo...

Então, como se a India não fosse suficiente, logo agora quando enganávamos-nos que começávamos a entende-la, deixamos suas terras. Chegamos ao antigo Reino do Lanka: essa gota de terra pingando da ponta do sub-continente Índico. Aqui é diferente de lá, parece que as coisas estão mais limpas, mais organizadas. A etnia das pessoas é muito parecida com seus vizinhos do norte, mas com uma pequena adaptação. São seres humanos em muitos tons de pardo, de feições arábicas moldadas pela forte presença do sol e do mar. Como eu poderia saber sobre as coisas daqui? Da politica ou da cultura? Do ethos ou dos afetos? Esse é só um dos muitos lugares pelo qual passaremos. Só sei o que me aparece assim, nesse vislumbre. Talvez por termos acabado de sair da India eu esteja mal acostumado, mas ver a riqueza e a limpeza dessa cidade me levanta suspeitas. A quantidade de militares que vaga por ai também contribui para isso. O que será que se passa por trás dessa aparente calma militarizada? 

Pinho, Eu e Maria. Lua de Mel compartilhada.


Se a India era um mistério, imaginem esse lugar. Nossos nove dias aqui serão um suspiro, portanto, vivo um momento virtual: presente num lugar que nunca conhecerei. No entanto há algo por aqui que me seduz. Talvez seja isso mesmo, a irrealidade dessa situação: meu corpo em deleite num território que nunca sonhou pisar e o qual, me parece, nunca conhecerá. 

Esse estranhamento fez amanhecer uma percepção em mim. Tornei-me agudamente consciente da falácia que é acreditar que numa viagem você vai "conhecer a India", "conhecer o Sri Lanka", ou conhecer seja lá qual for o lugar que lhe seduz. O que ocorre quando você faz uma viagem dessas é uma chance de relação com indivíduos e espaços de sortes pouco familiares, e tudo que isso pode implicar. Esse me parece um mistério ainda mais vivo e estimulante do que a abstração platônica de conhecer uma nação.

E agora estamos aqui, para ver dessa terra e ouvir das pessoas do impensavel Sri Lanka.

É desrespeitoso tirar fotos de costas para o Buddha.


7 comentários:

  1. Uau, chegamos no sirilãca! Tô achando bacana, mas ainda prefiro aquela praia com a vaquinha comendo melancia. E as religiões, continuamos adorando Buda e cia? E comeremos o quê, iogurte com arroz e pimenta?
    Bjs
    Titia

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  2. Agora q eu me toquei: não estávamos adorando Buda, mas ganesha! Acho q a renúncia do papa me deixou confusa. Aliás, alguém fala desse assunto por aí? Beijinhos saudosos, titia

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  3. na india o papa é o sirdhi sai baba regulando a moral e os custumes há séculos. aqui existe um conflito etnico-político, típico dessas regiões. são três as etnias daqui: cingaleses (do sri lanka, religião busdista), tamil (povo do sul da índia, religião hindu, no nordeste sri lanka, com intuitos separatistas, originando uma guerra civil recentemente terminada) e os muçulmanos, como muitas vezes vimos na índia.
    ou seja, em termos religiosos enxergamos três culturas predominantes e seus respectivos atributos religiosos.
    o papa aqui não regula nem influencia em quase nada.
    há dois dias, em bangalore, sul da índia, uma testemunha de jeová reconheceu nossos nomes e perguntou se éramos católicos. nunca antes disso fomos reconhecidos por joão e maria!
    parece que a guerra separatista cessou e o governo agora é composto tanto por cingaleses quanto por tamil.
    encontramos aqui mais indivíduos interessados em assuntos políticos e com viés interessado, talvez a guerra tenha estimulado a atenção das pessoas aqui. aliás, o preconceito étnico também é vigente e podemos sentir em poucos dias.
    os cingaleses muitas vezes se dizem diferentes do indianos (povo tamil) e "more clean than india", creio que mais que uma rixa brasil-argentina, é racismo brabo.

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  4. hum, então o siri é menor e mais conflituoso ainda q a índia.
    deve ter sido bom ser reconhecido como joão e maria, dá um alívio saber q vcs ainda se reconhecem pelos próprios nomes!
    ontem, lendo jornal, lembrei de vcs: uma italiana veio para essas bandas para falar sobre preservação de patrimônio cultural e, imaginem!, citou os ratos como ameaça ao patrimônio material orgânico indiano e os fungos e pragas como ameaça no siri. o primeiro se combate com semente de papaia e o segundo com óleo de canela. fica aí uma dica pra preservação do patrimônio de vcs.
    bjs titia

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  5. Namastê. já era mãe agora sou seguidora! choro como se não tivesse escolha. vocês são muito inspirados. deve ser a pimenta. amo-os com força. bj de levinho.

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