Já chegamos em Mysore há quase uma semana e desde então não atualizávamos nosso pequeno espaço virtual aqui com noticias. Vou manter o mistério e aproveitar para falar um pouquinho mais sobre Hampi, já que lá estávamos sem internet
Cavalgando com Vayú
Olha que novidade, aproveitei que cheguei na India e tirei carteira pra dirigir moto! Foi uma bagatela, todo o processo saiu por cinquenta centavos de dolar e ficou pronto em duas horas! Brincadeira gente, aqui ninguém tem carteira de motorista, fala sério! Nem o cara que dirigia nosso rickshaw tinha, que dirá os gringos que alugam motos por 4 reais a diária. A moto é o meio de transporte oficial em Hampi, e eu não pude perder a oportunidade de dirigir um pouquinho por aqui, onde as leis são mais flexíveis. Fiquei feliz de saber que não é em todo lugar do mundo que eu sou um desmotorizado. Viva a anarquia indiana!
Mon amour na frente do Virupaksha Temple,
um templo de Shiva e o principal da cidade.
Depois de três dias invalidos por conta de uma gastrite compartilhada finalmente conseguimos chegar as ruas de Hampi. A cidade é um pedaço de terra fascinante, cravejado por pedregulhos gigantes e inexplicáveis e templos antigos e modernos para as mais variadas entidades e deuses do panteão Hindu. Aproveitamos para nos benzer em cada um deles, nós que conhecíamos e nos que desconhecíamos. Essa cidade é um ponto de peregrinação importantissimo do país, milhares de indianos vêm aqui todo ano tomar suas bençãos. Sabendo disso, não podíamos ficar de fora.
Esse aí no chão sou eu, à minha frente o maior Ganesha que já vi.
As arquiteturas são tão váriadas quanto os deuses desse paganismo ancião, temos desde templos rocambolescos do seculo dezesseis à santuários kitsch da decada de setenta, passando pelos mais pobres assentamentos e pelos mais suntuosos edificios.
Detalhe da arquitetura do desativado Templo de Krishna
No alto de 660 degraus, o templo de Hanuma, o deus macaco.
Alguns dos seus habitantes.
Eu, na frente do Breguérrimo templo do Shirdi Sai Baba
(Não é o mesmo que o Satya Sai Baba, o cara dos incensos)
A India é um país muito pobre. Muito mais pobre do que eu poderia imaginar. Andar por aqui me fez apreciar um pouco mais as mudanças que vêm ocorrendo no Brasil de uns tempos pra cá. Fizemos um bom amigo, o Alik. Ele era o motorista do nosso Auto-Rickshaw e um garoto muito bom de 21 anos de idade. Gentil, educado e de um ótimo coração. Enquanto nos levava de um lado pro outro nos ensinava um pouco de Hindi e Karala, as duas linguas locais. Ele ficou fascinado pela gente, achava que parecianos estrelas de Bollywood, nos ajudou quando estavamos na merda, acabou até nos dando seu chip de celular para que pudessemos usar a internet, já que agora estrangeiros foram proibidos de comprar chips de celular por aqui e haviamos comprado um modem 3G que necessitava de um.
Quando estavamos indo embora perguntamos se ele tinha e-mail ou facebook para mantermos contato. Meio constrangido ele disse que não sabia mexer no computador. Foi ai que percebemos que ele sabia mexer sim, pois tinha até um celular. O problema é que apesar de poliglota (o cara falava fluentemente 4 linguas diferentes) ele era semi analfabeto. A tecnologia que lhe faltava para usar um computador não era a moderna maquina, mas sim a anciã escrita. Perguntamos se ele não poderia estudar ele disse que a escola para adultos aqui custava dez mil rúpias todo mês, muito mais do que o seu salari mensal de seis mil rúpias (aproximadamente 120,00 U$D).
Mary e Alic nos nossos momentos finais juntos.
É meus amigos, a pobreza é senhora. Desde que a grana é grana é assim. Vivemos em um mundo cão, vir ao canil só me faz perceber o quanto nasci um privilegiado. Como meu amigos Luis me disse outro dia numa conversa virtual: "eles são gado humano". Triste porém verdade, aqui na india não se come o gado, eles é que parece que são engolidos pela riqueza que nunca terão e que assistem ir e vir todo dia nas centenas de estrangeiros como nós, que vem observar o exotismo da miséria. O mais incrivel é ver a felicidade que eles exibem perante a dureza da sua vida. "I live a hard life, friend" dizia meu novo amigo com um sincero e profundo sorriso no rosto.
Vivamos esse paradoxo
Namastê e até breve!
Maria... que sapato é esse que vc está usando? rsrsrs Achei lindo a relação de amor e amizade com o Alic. Nossa... emocionante a história dele. Está emocionante acompanharmos a viajem de vcs. Encontrando amor, solidariedade e felicidade num mundo escondido de todos. Uma curiosidade. Nesses lugares, existe a "classe média", ou só Rico e Pobre? O estado se faz presente ou é as organizações religiosas que governam o estado? Existe consciência política? E as manifestações culturais como o Teatro e a Música? A Globalização massificou o consumo cultural? existem ações locais de raíz?
ResponderExcluirBeijos
Papi Deo
Ih... acho que acabei perguntando d +. Se quiseres responda via e-mail... bjs Papi
ExcluirOi, pai
ResponderExcluirAgora estamos em Mysore, uma cidade de interior de médio porte. A economia aqui parece ser levada pelo turismo, com as centenas de gringos 'peregringando' atrás da ioga. Aqui é um polo de ioga mundial. Principalmente o tipo que praticamos, ashtanga vinyasa. Nosso bairro é de clase média, lembra o Bairro Peixoto, com muitas árvores e pouquíssimo comércio.
Mas até agora é a primeira vez que vemos uma India assim.
A impressão é que o Estado aqui não existe ou está a décadas de distância. A disenteria aqui é um grave fator de mortes, como pode? O índice de analfabetismo, pelo que eu descobri no censo 2011, é de 25%, ou seja 300 milhões analfabetos. Mais que um Brasil inteiro. E é claro, que 2/3 disso são mulheres.
Hampi, a cidade do Alek, é um dos destinos mais procurados aqui, pela sua importancia histórica e religiosa. Não tem escola, não tem hospital, não tem rua, calçada. Governo? Ainda não vi um por aqui. Isso me revolta.
Como haver consciência política? Consciência política é coisa de gente abastada, isso aqui é mondo cane.
E é melhor eu parar de denunciar o governo indiano porque eles proíbem que se escreva sobre eles na internet.
Não imaginava que 5 dias sem noticia fossem tão aflitivos, já ficamos mais tempo sem nos falar mas sabendo que voces estavam aqui do lado não me preocupava, agora com tantos kilometros de distancia tenho sede de noticias, qualquer oi faz diferença. escrevam muito e sempre, nós precisamos disso.
ResponderExcluirbjs
saudades
Vamos escrevendo pai, mas aqui ta tudo tranquilo também. Essa cidade é bastante relaxa e temos uma rotina bem abastada. Ai as vezes da preguiça de entrar na WWW, sabe como é? Mas pode deixar que mantemos contato sempre. Beijinhos saudosos na Ana e no Zé(?)
Excluirmiséria, miséria, mas na tromba do ganesha ninguém economizou... Ave!
ResponderExcluirbjs
titia
Recado pro neném: qdo faltam notícias do blog, procure no FB q sempre tem ois e olás.
Titia, o Ganesha era de pedra, e foi construido a mais de 600 anos atrás, mas aqui ninguém economiza mesmo quando se trata do elefantão!
ExcluirLindos JolGanesha e ShivaMary, aí em Mysore não em motinha? Esse retrato pobre da Índia é igual ao negativo do Brasil antes de Getúlio. Depois JK deu outra modernizada com seus 50 anos em 5. Aí...a ditadura sufocou o Brasil, que quase morre de falência múltipla nos anos seguintes da redemocratização com Sirney, Collor e FFHH. Nos último dez anos (governados pelo PT)somos um país mais inclusivo, a crise de 2007 não nos acertou, e um exército 40 milhões de brasileiros deixaram a miséria, geramos milhões de empregos, consolidou-se o estado de direito democrático...Enfim, deixando de ser a Belíndia, criada pelo IPEA em 1972. Ainda falta muito pra chegarmos a uma Bélgica mas deixamos a Índia para trás. Amei a fantasia de macaquinhos,vocês ficaram bem!
ResponderExcluirJoão de moto?!?! sensacional?!?! Desde quando você sabe dirigir motos?
ResponderExcluirbeijoscas, Dadá
gado humano?!?! taí um bom motivo pro Alic não saber ler em português, enfim, tinha que ser coisa do assump... bjs sempre com saudades
ResponderExcluirBota a cara mister M!
Excluirvc sabe que sou eu jay!! tanto que já acertou a inicial!! te amo
Excluirpoxa jay vc não está me reconhecendo, sou sua admiradora secreta
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